Art life.

Com três semanas de trabalho eu percebi que existem pessoas no ramo executivo que desenham, que sonham com esse tipo de arte em suas vidas e fazem um esforço enorme para não deixar isso morrer, levar como pelo menos um hobby. Mas essas pessoas não são muitas, muito pelo contrário, quase nenhuma. E infelizmente a maioria que eu conheci tem a opinião que toda outra pessoa pobre de espírito tem.

O ramo executivo é o que move o mundo, o ramo executivo que controla a economia dos EUA, a bolsa de valores americana, o governo americano, o mundo norte-americano, o dinheiro, mais dinheiro, um gerente querendo se destacar mais do que outro, e ainda fantasiar isso tudo com um screensaver de computador que diz que cura crianças com câncer enquanto aquele screensaver passa na sua tela, que ajuda o meio ambiente.

Qual curso você vai fazer na faculdade? Direito, comércio exterior, relações internacionais, relações públicas, administração. Os focados nesses cursos estão me parecendo os estudantes de engenharia que conheci, o mundo gira em torno de nós, do dinheiro e que se foda o resto.

Quer cursar Design? Arquitetura? Artes visuais? “Pra quê? isso não te dá dinheiro, isso vai fazer de você um nada procurando por mercado de trabalho fora da sua área especializada, esses cursos não têm importância alguma na nossa vida!” Essa foi a fala de um colega de trabalho. Eu simplesmente nem sei se eu digo alguma coisa, se eu respiro fundo e ignoro, se eu tento convencê-lo de alguma maneira educada que não seja um tapa e um empurrão ponte abaixo.

Você diz isso, mas quando sua empresa multinacional te manda para a europa por uns tempos à trabalho, o que você faz? Vai visitar o BigBen, o Parlamento britânico, a catedral de St Paul, a torre eiffel, o museu do Louvre, a catedral de notre dame, o arco do triunfo, o coliseu, a torre de pisa, os castelos fenomenais de Moscow e entre inúmeros outros. Aquilo foi criado por quem? Crianças asiáticas de 5 anos? Não. Por arquitetos, designers, artistas plásticos, os quais todos conhecem seus nomes.

Abra um pouco a sua mente, o mundo não gira só em torno de um emprego com um salário alto e benefícios como seguro de vida e seguro de saúde. Não adianta falar que os estudantes de filosofia da USP são crianças revoltadas que querem lutar pelos direitos da maconha, você não está la dentro, você não sabe o que eles realmente querem por sua falta de vontade de perguntar à alguém de lá sobe isso e por sua ingenuidade ao acreditar na mídia.

Eu sou sim apaixonada por desenhos, por pinturas, esculturas, feirinhas de avó de artesanato, caixinhas de madeira pintadas, fotografia, o pôr-do-sol, a lua, montanhas, paisagens, a grama verdinha e uma árvore no meio do nada, ficar rabiscando o que der na mente mesmo que saia um rabisco nada a ver, ficar igual criança olhando pro céu só para encontrar uma nuvem que tenha a forma de um cachorro, dragão ou sei lá o quê. Eu gosto disso. Eu não quero ter essa vida robótica igual à sua que se resume a sentar em uma cadeira de escritório, participar de reuniões uma vez por mês, precisar usar roupa formal e desconfortável todos os dias.

Eu abri minha mente ao ser assim e arrumar um emprego em um lugar completamente fora do que eu realmente quero e sou, é um sacrifício que eu estou fazendo para chegar onde eu quero, será que você poderia ao menos não fazer pouco caso desses valores mencionados e/ou respeitar?

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